Processo de acreditação está associado à gestão dos serviços de saúde

  

A primeira preocupação da acreditação é o foco no paciente, oferecendo segurança e qualidade na assistência e melhorando a gestão da instituição como um todo

 

Foco no paciente. Essa é a principal preocupação da ONA – Organização Nacional de Acreditação, que certifica a qualidade de serviços de saúde no Brasil, com foco na segurança do paciente. Este foco está relacionado intimamente não só com relação à redução de incidentes e eventos adversos, mas também com a melhoria da qualidade do atendimento. “Na verdade, são pontos intrínsecos. Quanto mais você aumenta ou melhora a qualidade do atendimento evidentemente a possibilidade de desses eventos diminuírem também é bastante”, afirma Péricles Góes da Cruz, gerente de relações institucionais ONA.

Confira, a seguir, a entrevista exclusiva de Péricles ao Portal IBSP.

IBSP – Como é o processo de acreditação de um serviço de saúde?
Péricles Góes da Cruz – O processo de acreditação certifica uma instituição, levando em conta os padrões que estão definidos em um manual da ONA. O processo de acreditação é baseado em uma visita de certificação, que observa vários padrões que estão definidos neste manual, relacionados não só à segurança do paciente, mas também à gestão dos serviços de saúde, como foco na redução de eventos adversos. Ou seja, o conjunto de padrões envolve segurança do paciente e qualidade do atendimento a este paciente, aos seus familiares e também aos colaboradores do hospital.

IBSP – Como lidar com as especificidades de cada região do Brasil?
Péricles – O Brasil é um País de dimensões continentais e cada região tem uma característica completamente diferente da outra. O objetivo é fazer com que todos atendam a padrões que sejam semelhantes, ou seja, fazer com que a qualidade seja comum a todas as organizações. Porém, pelo fato de o Brasil ser muito grande, apenas cerca de 5% dos hospitais brasileiros estão certificados pela ONA, embora já haja uma procura muito grande, um interesse de todos esses serviços de saúde por qualidade.

IBSP – Isso significa que a ONA ainda tem um importante papel no País para ajudar a elevar a qualidade do atendimento?
Péricles – Sim, sem dúvida. E isso se revela no número cada vez maior de organizações que estão se certificando. O crescimento da ONA é grande, sendo reconhecida como a terceira maior certificadora do mundo em número de certificações. Isso só demonstra que as organizações brasileiras de saúde têm uma preocupação enorme com relação à qualidade, à melhoria do atendimento, o foco no paciente, principalmente a segurança do paciente. A tendência, cada vez mais, é fazer com que o percentual cresça bastante, de uma maneira bastante interessante e exponencial. Como cada vez mais os hospitais e os serviços de saúde tem se preocupado com essa melhora do atendimento, a nossa expectativa que cada vez mais esse número aumente, em função dessa preocupação, desse envolvimento dos hospitais e dos serviços de saúde, de uma maneira geral, com a qualidade e a segurança do atendimento ao paciente.

IBSP – A certificação está atrelada à melhoria da gestão dos serviços de saúde?
Péricles –Toda certificação está intrinsecamente relacionada com um processo de melhoria de gestão dos serviços de saúde. E, talvez, esse seja o grande segredo: quanto mais você melhora a gestão do serviço saúde, mais se dá atenção à qualidade do atendimento. Tendo mais atenção à qualidade, protege-se melhor o paciente, ofertando melhores condições de tratamento, fazendo com que, cada vez mais, esse paciente tenha resultados positivos ao sair ou ter alta de um hospital, ao fazer um exame laboratorial ou utilizar um serviço de imagem.

IBSP – Manter a certificação é o maior desafio?
Péricles – Qual é o grande segredo quando o hospital ou uma organização de saúde se certifica? O grande segredo é manter essa certificação! Não à toa, as certificações tem um prazo de validade. No caso da ONA, nível 1 e nível 2 têm um prazo de validade de 2 anos; para o nível 3, o prazo de validade do certificado é de 3 anos. O maior desafio para essas organizações é manter é manter o padrão; é estar constantemente envolvido com essa melhoria da qualidade.

IBSP – Ou seja, o que importa é sustentar o padrão de qualidade?
Péricles – Dentro da área de qualidade, quanto mais você se envolve, quanto mais você proporciona ao paciente melhores condições de atendimento, melhores resultados você vai ter não só para o paciente, mas também para o próximo serviço de saúde e para aquelas pessoas que trabalham naquele serviço. O grande desafio é exatamente esse: manter o mesmo padrão de qualidade, buscando cada vez mais melhorar.

IBSP – Para o serviço de saúde, engajar o profissional na segurança do paciente e na qualidade é um segundo desafio?
Péricles – O segundo grande desafio é um envolvimento dos profissionais que trabalham no serviço de saúde. Manter o envolvimento, estimular as pessoas que tudo aquilo que elas estão fazendo vai se reverter em prol do paciente, mas também prol delas mesmas, é um dos pontos mais relevantes.

 

Fonte: Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente – IBSP

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