Gestão hospitalar: erros e eventos adversos mais comuns na assistência

 

Eventos adversos

 

De falhas na identificação a problemas de comunicação entre os profissionais envolvidos no cuidado, intercorrências comprometem o atendimento e podem levar o paciente à morte em alguns casos

 

Como toda atividade humana, a rotina assistencial está sujeita a erros e eventos adversos. É papel da gestão hospitalar mapear, estudar e propor estratégias para minimizar essas ocorrências e garantir a segurança do paciente. O primeiro passo é entender quais são as mais comuns, onde e como elas ocorrem.

Primeiro Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil, produzido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mostra que, de julho de 2016 a junho de 2017, 829 brasileiros morreram por dia em decorrência de condições adquiridas nos hospitais – ou seja, sequelas causadas por erros ou eventos adversos. Os dados são de 133 hospitais prestadores de serviços a operadoras de Saúde que atendem 7,6 milhões de beneficiários nas regiões Sul, Sudeste, Centro Oeste, Norte e Nordeste do País.

Na avaliação de Fernando Teles de Arruda, coordenador adjunto do curso de medicina do campus Bela Vista da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), o número é um recorte da realidade, que deve ser visto com cautela pela gestão hospitalar. “Primeiramente, erro é diferente de evento adverso. O primeiro é uma falha, por exemplo, ministrar um medicamento ao paciente incorreto. O segundo é decorrente de um risco aumentado, como quando se faz uma sonda em um paciente e ele pega uma infecção.”

O especialista lista os processos nos quais a ocorrência de erros e eventos adversos é mais comum:

  • Identificação: ausência de uma simples pulseira ou de um registro no leito de internação, com nome e dados pessoais, ainda é comum no Brasil, principalmente no setor público. Pode gerar diversos problemas em relação à aplicação de medicamentos, realização de exames, procedimentos, entre outros.
  • Medicações: ausência de registros e controles adequados, ou prescrição ilegível ou incompleta, podem incorrer em erros de dosagem/horário, troca de medicação, reações alérgicas, choque anafilático, entre outras intercorrências.
  • Procedimentos: cirurgias mal feitas ou feitas em órgãos ou membros saudáveis, equipamentos esquecidos dentro de pacientes, exames realizados sem indicação ou na parte errada do corpo, por exemplo, ainda são registrados nos hospitais brasileiros.
  • Acidentes: traumas por quedas de pacientes são muito comuns. Ocorrem no momento de deitar ou levantar do leito, no banho, entre outros. São eventos traumáticos, multifatoriais, habitualmente involuntários e inesperados, que podem ser recorrentes em um mesmo paciente e, consequentemente, causar-lhe danos e demais consequências, principalmente no caso de idosos.
  • Lesões de pressão: também chamadas de úlceras de pressão ou escaras, ocorrem em pacientes acamados durante muito tempo na mesma posição ou em leito inadequado. Podem gerar necrose local, feridas e ampliam o risco de infecção, aumentando o tempo de permanência e o consumo de antibióticos.
  • Infecções: uma das principais preocupações do hospital, pois podem ser muito danosas para a pessoa inclusive levar a óbito. Podem ocorrer por erros simples, como a deixar de lavar as mãos e fazer corretamente a assepsia antes do atendimento, até eventos adversos, como passar uma sonda urinária, que, a partir de 48 horas, gera infecção em 100% dos casos, segundo Arruda.
  • Dispositivos de saúde: bombas de infusão, monitores, equipamentos e dispositivos médicos implantáveis aumentam risco de infecções e rejeição. Podem ainda apresentar mau funcionamento, superaquecimento e até mesmo cair no paciente, provocando lesões.
  • Comunicação no ambiente hospitalar: em um serviço de emergência ou centro cirúrgico, a comunicação não efetiva entre os profissionais envolvidos na assistência desencadeia inúmeros eventos adversos danosos, como, por exemplo, falhas de medicação, cirúrgicas, de exames, entre outras.

Arruda afirma ainda que, no Brasil, as discussões sobre o tema são recentes em relação aos Estados Unidos e países europeus. Porém, destaca iniciativas como a criação do Programa Nacional de Segurança do Paciente, pelo Ministério da Saúde, que demonstram a importância do debate e da transparência para minimizar o impacto desses problemas no ambiente hospitalar.

O médico ainda indica a série e os boletins Segurança do Paciente e Qualidade de Serviços em Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “É um material detalhado e rico, que traz modelos e exemplos internacionais de como prevenir erros e eventos adversos nos hospitais.”

Detalhados os locais onde são registradas mais intercorrências, o gestor do hospital pode criar estratégias, protocolos de segurança e ainda fazer uso da tecnologia para reduzir esses índices.

 

Fonte: MV – Blog

 

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