Aplicativos (apps) em saúde: o que precisamos saber?

Aplicativos (apps) em saúde: o que precisamos saber?

 

Existem, aproximadamente, cinco bilhões de usuários de telefones celulares no mundo. É estimado que 85% dos médicos, 79% dos estudantes de medicina e 75% dos estagiários de pós-graduação possuam celulares com tecnologia avançada. Profissionais de saúde e pesquisadores estão percebendo o potencial do uso de tecnologias móveis voltadas para os serviços de saúde.

Saúde móvel (mHealth), conforme definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), é uma área da saúde eletrônica (eHealth), que fornece serviços de saúde e informação por meio de tecnologias móveis. O mHealth também pode apoiar o desempenho dos profissionais de saúde através da divulgação das alterações clínicas, cálculos de escores, materiais de aprendizagem e lembretes.

Segundo o Institute for Healthcare Informatics (IMS), nos últimos anos, os aplicativos móveis de saúde disponíveis chegaram a mais de 165.000. O número de aplicativos de saúde na Apple App Store dobrou desde 2013, sendo, atualmente, mais de 90.000 aplicativos. Entre as centenas de aplicativos de saúde existentes, os de cálculo são os mais usados por médicos. Aplicativos para diagnóstico de doenças, referência de drogas e calculadoras médicas são relatados como os mais úteis por profissionais de saúde e estudantes de medicina.

A maior parte dos aplicativos disponíveis para utilização médica destina-se ao cálculo de doses de insulina para pacientes com diabetes e educação sobre asma, entretanto, a maioria não funciona adequadamente apresentando erros graves que poderiam ser evitados com a validação.

Considerando-se os aplicativos de saúde utilizados por paciente, é alarmante que 91% dos aplicativos de cálculos de dose de insulina carecem de validação e documentação do seu benefício. A maioria (67%) recomenda dose inadequada e 70% não possuem documentação da fórmula utilizada para o cálculo. Já os aplicativos para portadores de asma, apesar de mais interativos, não melhoraram em termos de qualidade apresentando problemas de precisão no cálculo do pico de fluxo. Além dos problemas enfrentados com a falta de validação de aplicativos, 28% deles sem política de privacidade segundo revisão do Serviço Nacional de Saúde dos Estados Unidos. O desenvolvimento de políticas de privacidade podem ajudar a proteger informações pessoais dos pacientes.

Aplicativos de outras áreas médicas também apresentam erros. Um aplicativo de dermatologia, baixado mais de 35.000 vezes, que pretendia identificar lesões de pele pré-cancerígenas apresentou apenas 10% de sensibilidade para classificar melanomas comprovados por biópsia. Outro aplicativo de reumatologia, também muito utilizado, foi retirado por fornecer pontuações 15-20% mais elevadas sobre atividade de uma doença e 10-15% menor para outra patologia.

Uma revisão sobre aplicativos comparou dados de 2013 com os de 2011, encontrando melhorias significativas, como aumento do envolvimento dos usuários, incorporação de conteúdo multimídia, redes sociais, jogos, integração de sensores e armazenamento de dados em nuvem, mas, sem melhoria na funcionalidade principal dos aplicativos, ou seja, na capacidade de prover resultados prometidos para os usuários.

O cenário é diferente, no entanto, para aplicativos de cálculo médico. Pesquisadores testaram 14 aplicativos de cálculo para uso médico com o objetivo de demonstrar a acurácia. As funções testadas nos aplicativos foram precisas em 98,6% (17 erros em 1.240 testes) e, entre os 14, seis (43%) aplicativos de cálculo para uso médico tinham 100% de precisão.

Enquanto aplicativos médicos de cálculo projetados para uso dos profissionais de saúde são objetos de análise, as características de segurança dos aplicativos para uso dos pacientes são, em grande parte, desconhecidas.

Na atualidade, a agência americana Food and Drugs Administration (FDA) somente intervém em casos de grande irregularidade de um aplicativo. Um voluntário esquema de certificação, Happtique Saúde App Certification Program, permaneceu em uso por apenas dois anos nos Estados Unidos, pois aplicativos certificados continham falhas de segurança. No Reino Unido, o NHS Apps Health Library exige que os responsáveis respondam perguntas estruturadas sobre a segurança, qualidade e privacidade que são revisadas por uma equipe interna, no entanto, esse estudo encontrou falhas sobre privacidade em aplicativos credenciados.

Para a evolução dos aplicativos de saúde, é importante melhorar a supervisão e fazer avaliação contínua da qualidade. A centralização da supervisão em órgãos reguladores tem a vantagem de regulamentar e gerar poderes para sancionar. Enquanto um equilíbrio deve ser atingido entre inovação e cautela, a segurança do paciente deve ser primordial.

 

Fonte: Hospitalar – Blog

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